setembro 17, 2013 | Posted in:Cultura Francesa

(Rômulo Marques Ribeiro)

Para quem tem planos em viajar para a França e pretende conhecer Paris, fica uma dica: ver o “midnight in Paris” de Woody Allen. O filme é uma viagem pelo tempo e propõe um roteiro maravilhoso pela Capital e seus arredores. A ideia de passear, revendo as cenas do filme, fotografando-as, seria como guardar dois álbuns distintos e íntimos ao mesmo tempo.

Claro que estar em Paris, já é uma forma de estar dentro de uma tela enorme. A cidade é tão bela e vasta, que fica até difícil escolher um ponto de partida e organizar um roteiro eficaz. Afinal, a gente fica olhando para tudo quanto é lado e acaba por não apreciar as coisas corretamente, ou não entender suas histórias, seus símbolos e suas razões.

Por um roteiro resumido, o passeio ficaria em mais ou menos 8 horas andando, com pausas para cafés, vinhos e almoço. Um bom “départ” seria pelo museu do Louvre. Sem entrar, somente no pátio externo, precisamente na área das pirâmides. Comece a fotografar. Com a câmera e com seus próprios olhos. Pode-se focar a grande pirâmide ao centro com as alas do museu aos seus lados. Para obter a mesma perspectiva do filme, basta ir atrás das pirâmides, e tirar umas fotos delas, deixando um bom espaço para a ala Denon, aquela que faz fronteira com o rio Sena, pela esquerda.

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Continuando o passeio, podemos atravessar o jardim, fotografando os lagos e suas fontes. Não deixem de apreciar e fotografar as esculturas expostas no jardim, todas são famosas e estão lá há muitos anos, inclusive a “Alexandre combattant”, de Charles Leboeuf, além de várias de Auguste Rodin, como a “Eve”, a “méditation”, “l’ombre” e a “le baiser”, expostas ao lado da “orangerie”, entre outros artistas.

Passear pelo jardim de Tuilleries, ou pelas cenas do Midnight in Paris, na verdade seria somente um pretexto para visitar a orangerie e ver as “nynphéas” de Claude Monet, além das “jeunes filles au piano” de Renoir, “l’etreinte” de Picasso, vários Matisse, Derain entre outros grandes deste mundo.

Depois de visitar a orangerie, e dar uma voltinha pela praça “Vandome”, logo ao lado da igreja da Madeleine, o melhor seria subir a avenida Champs Elysées, que começa na praça da Concorde, indo pelo passeio, do lado dos números ímpares, até o arco do triunfo… aproveitando para fotografar o “grand palais” e o “petit palais”, sem entrar; e voltar, pegando a Avenue Montagne, e caminhar uns 50 metros, até a praça François I. Fotos para a segunda imagem do filme, logo na segunda cena, aos sons de Sidney Brechet.

Saindo da praça, descemos a avenue Montagne, até chegar ao Trocadero. Pausa para fotos… e duas opções: ou tomar um cafezinho no ‘café do trocadero’, que decora o filme por duas cenas, ou um chocolate quente no “chez Carette”, considerado o melhor chocolate quente de Paris.

Depois é só descer pelas escadas do Trocadero, atravessar o rio Sena, pela ponte Alexandre III – fotos,  e andar até o museu Rodin, ali perto dos “invalides”. Para a visita completa ao museu, melhor deixar para um outro dia, mas para tirar algumas fotos perto do “le penseur” não custa nada. Aliás, o preço para visitar os jardins é somente 1€50 e a cena do filme, com a participação da Carla Bruni é interessante e histórica, afinal na época das filmagens, em julho de 2010, ela era a primeira dama francesa.

O caminho mais prático para ir até a ilha de ‘la cité’ seria continuar pelo cais, visitando a ponte dos artistas e a “pont neuf”, onde o personagem Gil passeia com a Adriana e começa a ter dúvidas, quanto ao seu casamento com inez. Chegando à ilha, melhor fazer uma pausa, apreciar os movimentos das pessoas e observar o rio em suas margens. Fotos.

Uma pausa para o almoço se impõe e a melhor coisa seria viajar no tempo, ir ao Polidor, aquele restaurante que Gil frequenta com os Fitzgerald, Hemingway e os amigos. Os menus variam entre 18 e 40€, com entrada e o prato principal. Tem vinhos ótimos.

Uma boa opção, para depois do almoço, seria caminhar pela beira do rio Sena, visitando os “bouquinistes”, aqueles vendedores de livros antigos ou usados, e comprando algum cartão postal, ou um livro. Ou revista. Ao lado, vale a pena ir à igreja de Notre Dame e à ilha de Saint Louis. Talvez, e dependendo do tempo, um sorvetinho no Bertillon, o melhor do país.

Para terminar esta parte das visitas, uma ida rápida ao Panthéon e às escadarias da Igreja Saint-Étienne-Du-Mont, lugar onde Gil encontra, ou pensa encontrar o velho Royce que o leva para os anos 20, aos sons dos sinos da meia-noite.

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A melhor coisa para terminar o passeio, ou a viagem, seria pegar o metrô, em direção à “porte de Clignancourt” e visitar os antiquários do mercado das pulgas, procurar um velho vinyl do Cole Porter, ou um par de brincos… antes de subir a Montmartre, visitar a igreja de Sacré Coeur e suas escadarias, sua praça dos artistas, o museu Salvador Dali, e degustar um bom vinho tinto sob a luz crepuscular de um fim de tarde bem francês.

E para quem gosta de cinema, que é fã de Woody Allen, já viu o filme “midnight in Paris”, e que não tem viagem marcada, a solução seria fazer um pé-de-meia e deixar o sonho se realizar.

Obs. Outros passeios e opções são possíveis, para visitar todas as cenas do filme, como o castelo de Versalhes, a casa do Monet (80 km de Paris), o jardim de Luxembourg, e vários passeios noturnos, como o “moulin rouge”, entre outros restaurantes e bares, e os cais do rio Sena.

Para maiories informações:

romribeiro@orange.fr

Alexia é brasileira e vive em Paris. Formada em Historia (mestrado) e turismo (curso técnico) com especialização em Guia turistico. Oferece serviços de guia e organisa circuitos guiados pela Europa. Formação em Gestão e Contabilidade e em musica também :) Contato: alexiaoliveira@artdeviv.com

9 Comments

  1. Maria Helena John
    setembro 18, 2013

    Olá Aléxia! Muito boa a idéia de percorrer os caminhos do Filme!

    • Alexia Oliveira
      setembro 18, 2013

      Ola Maria Helena!

      Pois é, otima ideia (do Romulo, não minha) mesmo. Da pra fazer este roteiro com ele (ele é guia também), por isso deixamos o contato dele no final. Os locais são maravilhosos mesmo!
      bj

  2. Sidinei Lander da Silva Pereira
    setembro 17, 2013

    Não posso negar que meus olhos marejaram e uma dor profunda subiu de meu peito até morrer em minha garganta quando li teu texto.
    Cada dia que passa desde que voltei de Paris para mim é como um dia a mais no exílio. Só Deus sabe a saudade que toma meu ser cada vez que vejo e revejo esse filme, À noite, em meus sonhos, encontro o acalanto de minha’lma deixando o espírito vagar pela Ile de France onírica que é a única que me restou. Como um expatriado contemplo com angustiante melancolia os postais e quadros que adornam as paredes de minha humilde morada, na dolorosa certeza de que jamais voltarei a ver os a chuva escorrendo entre os beirais daquelas pequenas ruas transversais próximas ao Père-Lachaise, subir degrau a degrau até La Basilique du Sacré Coeur, sentir sob meus pés o trepidar da aproximação do metrô, descer na estação Gambetta e vagar a esmo, o êxtase semi-espiritual perante os vitrais de Notre Dame e aquela alegria quase infantil de sentir-se vivo em Paris, à sombra da Torre Eiffel.
    Em meu peito habita uma dor infinita que clama: Paris, PARIS, PARIS!!!!

    Hoje sou apenas uma sombra…

  3. Fabio Gonçalves de Menezes
    setembro 17, 2013

    Tinha feito parte do roteiro no ano passado. Agora, em agosto, vi o filme, no Sacré-Couer, ao ar livre. Terminei o roteiro, pois ainda não tinha ido a Gyverny e nem ao Mercado das pulgas onde fiz excelentes compras.
    Abraços e até 2014 em Paris.
    Fabio.

  4. Voltaire Vaz
    setembro 17, 2013

    Excelente este roteiro. Quando voltarmos à Paris gostaria de fazê-lo com vcs. Entrarei em contato.
    Abrs

    • Alexia Oliveira
      setembro 17, 2013

      Ola Voltaire!
      Bom ver voce por aqui!
      Sera um grande prazer acompanha-los!
      Abraços
      Alexia

  5. Camila
    setembro 17, 2013

    Eu vi o filme antes de viajar e foi ótimo, pois quando andava pela cidade lembrava de algumas cenas rss… Que saudades! Fui em 2012 e pretendo voltar em breve!

  6. Eleonora Engler Faraco
    setembro 17, 2013

    Eu assisto todas as vêzes que passa,para recordar essa cidade linda!Chega a dar um aperto de saudade no peito,parece mentira que já vai fazer um ano que estivemos aí.Eu não tinha assistido ao filme antes.

    • Alexia Oliveira
      setembro 17, 2013

      Ola Eleonora!

      Pois é… Paris sempre deixa um gostinho de quero mais… Sempre tem coisas pra ver, mesmo que se venha 10 vezes aqui…
      bj e obrigada pelo comentario!