Passeando com os espíritos

abril 14, 2015 | Posted in Cultura Francesa | By

Passear em Paris, às vezes, é como andar pelo tempo, andar passo-a-passo com a história em suas paisagens monumentais.

Andar ao léu, tentando esquecer ou lembrar algo, deixar fluir os pensamentos, ajustar as ideias, é coisa comum em todas as cidades do mundo. E faz parte da vida parisiense. Há sempre alguém andando sem rumo pelas ruas parques e avenidas.

Vendo e observando as atracões de hoje, percebemos que muitas paisagens não mudaram através do tempo. Algumas pediram reformas, mas continuaram vivas. Não podemos dizer a mesma coisa, em relação às pessoas. Elas se vão e outras nascem. Ou renascem, não sabemos. Claro que vários homens acompanham certos monumentos e se perpetuam por eles, deixando seus nomes, suas vidas, seus exemplos.

Temos exemplos múltiplos de monumentos que guardam legendas-vivas parisienses, começando pelo Panthéon, aquele imenso monumento aos mortos, entre os mais célebres da história; passando pelo Arco do Triunfo, aquela homenagem póstuma a um simples soldado, perfeitamente desconhecido, mas representante formal de todos os soldados e oficiais das guerras; Claro que temos muito mais, inclusive o próprio Hotel dos Inválidos, em princípio construído para hospedar os inválidos das guerras do rei Luís XIV, e que hoje hospeda os restos mortais de Napoleão I em sua dome.

E o passeio pode continuar… Outros lugares, por exemplo, muito visitados por turistas do mundo inteiro, onde também encontramos túmulos de personalidades do passado, são os cemitérios. Entre os vários cemitérios da Cidade Luz, é precisamente no cemitério Pêre Lachaise, que há um sepulcro, entre os mais visitados da cidade: o do senhor Hippolyte Léon Denizard Rivail, mais conhecido por Allan Kardec. Hippolyte teria adotado este pseudónimo, por acreditar que este teria sido seu nome em sua vida anterior, ou em uma de suas encarnações anteriores, segundo explicações dos Espíritos Superiores, por ele questionados.

Allan Kardec, que era um grande Pedagogo, começou a ser convidado para participar das famosas “mesas redondas”, que os médiuns organizavam na época, na capital francesa. No início, não acreditava muito, mas frequentava as seguidas reuniões, a convite de amigos. Acabou constatando que algo se passava. Que existia uma verdadeira comunicação entre os médiuns e aqueles seres espirituais, por eles recebidos.

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Kardec não era nenhum “mago” e, pelo que consta, também não tinha poderes mediúnicos, mas simplesmente começou a registrar tudo o que presenciara. Estudou inúmeras questões que cientificamente formulava aos vários espíritos, por intermédio de médiuns diferentes. Somente as respostas coerentes e que eram comuns entre vários “intérpretes” distintos eram validadas.

Kardec é atualmente considerado o Pai do Espiritismo, e de suas pesquisas minuciosas, publicou vários livros, entre eles estão:

O Livro dos Espíritos; O Livro dos Médiuns; O Envangelho, segundo o Espiritismo; O Céu e o Inferno e A Gênese.

Sua sepultura é um dólmen sagrado, semi-aberto, sempre repleto de flores e visitantes, e tem um busto de bronze, com os olhos bem vivos e abertos, visando o poente. O original do busto foi escultado por Charles-Romain Capellaro, aluno de David d’Angers,  em 1870. Por curiosidade, o escultor fora exilado da França em 1972, voltando somente 10 anos depois.

O monumento pode ser visitado na 44a divisão do cemitério Pêre Lachaise, no 20° distrito de Paris, entre os metrôs Pêre Lachaise e Gambeta. Aproveitem a oportunidade e visitem também os sepulcros de Oscar Wilde, Molière, Chopin, La Fontaine, Victor Noir, Jim Morrison, entre outros, mas não deixem de continuar os passeios pelas ruas, parques e avenidas… De repente poderão encontrar uma pessoa pelos jardins, com o nome de Allan e o sobrenome de Kardec. Se o encontrarem, não se assustem, pode não se tratar de um fantasma, mas de uma simples reencarnação, ou uma homenagem póstuma.

Quanto ao busto original do Kardec, está muito bem guardado, posso mostrá-los.

Este passeio está incluído no roteiro número 4 –

http://www.artdeviv.com/passeios-de-carro/

 

 

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