Situação legal de concubinas, namoradas e companheiras em relação à lei francesa.

janeiro 26, 2014 | Posted in Cultura Francesa | By

 

Ola pessoal

 

Voces viram que o presidente Hollande se “separou” da sua companheira Valerie ?

Bom, depois de ver tanto comentario pela net tipo “ela vai tirar tudo dele”. “Ela fica com a metade de tudo que ele tem” etc. Resolvi escrever este artigo.

 

Valérie Trierweiler nunca foi casada com o presidente Hollande e nem o estatuto de “primeira dama” foi aceito pelos franceses, embora ela tenha feito este papel. Ela não tem como “tirar” alguma coisa do presidente, pois não eles não tem filhos. Em relacionamentos informais, mesmo que durem 10, 20 anos, ninguém tem direito a nada. Nem a heranças, etc. Muitos no Brasil comentarem que ela era “interesseira”, sem saber dos fatos, sinceramente ela pode ter varios defeitos, e a maioria dos franceses nunca gostou dela, mas sinceramente, ela não estava com o Hollande por dinheiro.

 

Agora, usando este exemplo e direcionando a nossa realidade para dar informações que podem salvar a sua vida (brincadeirinha) e o seu tempo:

 

Eu recebo muitos e-mails de moças e senhoras que viveram por aqui com franceses ou mesmo em relacionamentos a semi-distancia (com alguns encontros esporadicos nas ferias), e ao terminarem o namoro, perguntam “então, o que eu tenho direito agora $$$$?”, como se merecessem um premio por terem “aguentado” o companheiro ou namorado.

 

 

Enfim… culturas diferentes e leis completamente diferentes. No Brasil a mulher ainda é vista pela lei como um objeto para procriação e “rainha do lar”, que merece “pagamento” pelos serviços prestados aos homens. A mulher, de acordo com as leis brasileiras, mesmo só sendo namoradas e nem vivendo sob o mesmo teto, tem direito a um dinheiro para “compensar o tempo despendido”, em função do homem, em detrimento da sua própria vida. Depois de 2 anos tem até direito a herança.Eu conheço mulheres que ao arranjarem um namorado largam tudo, pra dedicar-se inteiramente ao seu amor…

 

 

Aqui na França, a lei não acha que as mulheres “param de viver”, só porque estão namorando, seguem trabalhando, enfim continuam a ter a sua vida independente. Alias nem estimulam esse tipo de atitude de largar tudo por causa do ser amado.

 

Enfim, isso tudo é para dizer que Pacs, concubinagem, namoros, e afins não dão direito a restituição financeira. Casamento só da restituição financeira se for feito com contrato de comunhão total de bens, se não só os filhos é que tem direitos. Ah, detalhe, aqui voce herda dividas também, se for casada, se não paga perde tudo, casa, etc. Então cuidado com os gastos do seu amor frances, ou do pai ou mãe do seu amor. Pode sobrar pra voce…

 

Companheiros, ligados por Pacs , tem alguns direitos, como o de declarar impostos juntos, e de um ser dependente do outro na segurança social (Assurance Maladie). De resto, nada mais. Não há direito a vistos, heranças, pensões de viuvez, etc. Você segue sendo sempre “solteiro” aos olhos da lei.Voce pode requerer uma pensão por velhice se voce vive aqui ha mais de 15 anos legalmente, mas por viuvez não.

 

 

Namorados, companheiros ligados por união de fato ou concubinagem não tem direito a declaração de impostos conjunta nem a declarar ninguém como dependente.Terminado o namoro, é so um obrigado querida, to indo…

 

 

Acredito que agora fique mais fácil de entender o porque da importância da luta dos homossexuais em relação a legalização do casamento. Realmente aqui, para assegurar o futuro do companheiro, só casando.

Somente casados podem adotar uma criança e um ficar um como pai e outro como mãe (ou dois pais e duas mães), mas namorados não tem como, um adota, o outro pode ensinar a criança e lhe chamar de pai, mas legalmente o companheiro ou namorado da mãe não pode ser o pai adotivo da criança.

Enfim… estes são apenas alguns esclarecimentos, até pra ajudar voce a decidir que tipo de relacionamento voce quer pra voce caso encontre o principe encantado/a por aqui.

 

 

 

 

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Como a França lidaria com o « rolezinho » nos shoppings.

janeiro 17, 2014 | Posted in Compras em Paris, Cultura Francesa, Pontos turisticos | By

 

Ola pessoal !

Mais um tema polemico « made in Brazil »…

Enfim como seria encarado este problema por aqui, na terra da “Liberté, Egalité et Fraternité”.

Bom, não vou dar a minha opinião sobre o rolezinho no Brasil, porque não é este o intuito deste artigo. Vou fazer somente uma comparação de como este problema seria resolvido por aqui (de acordo com as leis).

1.Qualquer manifestação publica com mais de 20 pessoas tem de ser declarada com antecedência na policia ou no caso daqui, na Mairie (especie de sub-prefeitura, pra simplificar) – tem de ser autorizada por escrito. Tem de ter um “líder” e o nome do mesmo fica registrado como responsável caso haja algum problema. Isso aconteceu com a manifestação anti casamento gay, por exemplo, que o pessoal fez uma estrago grande nos jardins dos Champs de Mars (o espaço verde atras da torre Eiffel). Acabaram sem conseguir nada, só uma conta de 100 mil euros pelo estrago.

Então, onde esta a liberté?? Bom como junto há também a Igualité, é igual pra todo mundo: quebrou, estragou coisa que não é sua, você paga e pronto. Igual pra todo mundo.

  1. Em ambientes comerciais, quem manda é o dono (loja ou restaurante não é um local publico, e sim coletivo, que são coisas diferentes). Aqui não tem essa de chegar um grupo de 10 em um café, sentar em uma mesa e pedir somente um café e os outros ficarem só olhando. São postos pra rua, porque o espaço é pra clientes. Se você não consome você não é cliente.

  2. Em museus, por exemplo, qualquer grupo maior de 15 pessoas exige reserva e o nome do guia ou responsável. Grupos entram por porta especial e as vezes tem um funcionário do museu pra acompanhar caso eles não estejam com um guia credenciado pelo governo.

    Não tem essa de chegar um grupo de 200 pessoas como se fossem “individuais”. Individuais são casais, pessoas sozinhas e famílias de no máximo 8 pessoas. Mais do que isso é considerado “grupo”.

  3. Restaurantes só aceitam “grupos” com reserva. Eu mesma, como guia, tenho de fazer esses procedimentos mesmo já conhecendo o pessoal nos museus, restaurantes, etc. Quando eu estou com um grupo de 12 pessoas por exemplo, eu entro primeiro, sozinha no restaurante e pergunto se é possível eles nos atenderem sem reserva. Se não for, paciência. Mas tem de pedir permissão.

  4. Lojas: grupos de mais de 15 pessoas precisam de reserva ou pelo menos de autorização. Você não pode simplesmente “invadir” uma loja com um grupo sem avisar que esta fazendo e sem ter permissão.

  5. Centro comercial aqui é local de compras e os “visitantes” são bem vindos para conhecer, mesmo sem comprar nada, porém desde que não atrapalhem o fluxo normal do comercio do local. Grupos grandes precisam de autorização dos seguranças pra entrar e tem de deixar o nome do responsável.

  6. Manifestações culturais, danças, musica e gritos não são permitidos em locais públicos sem ter autorização. Voce ve gente dançando e cantando aqui pela rua a até dentro do metro, mas qando a policia chega eles tem de sair. Somente os que tocam nos corredores do metro tem autorização, os que estão dentro dos vagões não. Existem musicos e grupos tocando nas ruas que tem autorização.

  7. Existe código de etiqueta na vestimenta. Aqui quem cria o código de como as pessoas devem se vestir é o dono do local. Se ele não permite pessoas com roupa de praia no estabelecimento, pessoas com roupas de praia serão barradas. Ponto final.

Bom, estou falando de regras básicas de bom comportamento que devem ser seguidas aqui na França. E logico que as leis não são as mesmas que as do Brasil.

Eu já fui expulsa (como guia) de museus e restaurantes por causa de grupo falando muito alto em museu, e por sentar em restaurante e o pessoal olhar o cardápio e não querer nada. No caso do restaurantes eu fui pedir desculpas ao dono por levar o pessoal, disse que não sabia que eles não iriam consumir, e com o museu escrevi uma carta pedindo desculpas ao diretor.

Enfim, eles são os donos e eles dão as regras. Cabe a gente respeitar.

Repare que em momento algum eu falei em “racismo” aqui. A gente no Brasil esta acostumado a encaixar tudo como “racismo”. Eu mesma sou acusada de racismo frequentemente por “escrever sobre a França”. Recebo e-mails me ameaçando de processo, etc.

Enfim, Aqui na França, se você não sabe se comportar ou não segue as regras, tanto faz de que raça você é. Se você se comporta bem, você é bem vindo, se não, não é.

A gente não vai à casa de um amigo aos gritos, levando 100 pessoas sem avisar né? Ele também não iria gostar, mesmo conhecendo você e sendo seu amigo.Portanto o mesmo acontece nos estabelecimentos comerciais.

Aqui na França o dono do local é o “dono da casa”. Voce é apenas um convidado.

Enfim, este artigo é mais pra divertimento e considerações sobre um assunto que esta se ouvindo falar muito no Brasil. Eu não sou estou dando a minha opinião sobre os acontecimentos no Brasil, so estou comentando como seria se fosse por aqui. A principio nem deixariam acontecer.

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Como viajar sem gastar mais do que voce pode

janeiro 9, 2014 | Posted in Turismo dicas | By

Ola Pessoal!

Em primeiro lugar gostaria de desejar a todos um otimo 2014.

Com o aumento do IOF sobre os cartões pré-pagos, e com as taxas ja altas dos cartões de credito, além da recente desvalorização do real em relação ao Euro e Dolar, viajar esta um pouco mais (ou bastante) caro agora.

Com os meus passeios guiados, eu entro em contato todos os dias com brasileiros vindo fazer turismo por aqui. Realmente a maioria esta reclamando desses aumentos.

Aqui vai então, algumas dicas, que embora extremamente simples, podem fazer uma grande diferença nos seus gastos por aqui.

1. Traga as suas coisas. Deixar pra comprar “tudo aqui”, simplesmente por esporte, não é bom negocio. Coisas que voce tem em casa servem tranquilamente pra viagem. Eu ja fiz passeios com pessoas que até pente deixaram pra comprar por aqui, enfim, essas coisas podem ser compradas no Brasil. Tem certas coisas que não ha diferença mesmo entre sendo made in Brazil ou in France (na minha opinião). Guarde o seu dinheiro para uma compra especial, de uma coisa que voce não tenha, ou alguma coisa que valha mesmo a pena comprar por aqui. Invista em passeios, que é o mais importante aqui.

2. Pesquise. Se a ideia é economizar mas mesmo assim fazer a viagem, tem certas coisas que não são super necessarias.

Passes tipo o Paris Pass, por exemplo, são otimos e eu aconselho, mas somente se voce tiver tempo de realmente aproveitar. Comprar esse passe so porque é “bacana” ter uma passe, pode sair caro. Por outro lado, em época de alta temporada o passe pode poupar bastante tempo em filas. Enfim, avalie bem e veja o que é melhor.

3. Não tenha medo dos hoteis 2 estrelas ou hostais: eles são pequenos como praticamente todos os hoteis no centro da cidade, mas se a ideia é economizar, é preferivel um hotel 2 estrelas no centro de Paris do que um 4 estrelas fora (se a sua ideia é passear por Paris).

4.Planeje com antecedencia e va comprando euros. como as taxas de credito e do cartão travel money estão super altas, é melhor andar com dinheiro. Tem pessoas que acham que dinheiro não é seguro, mas tudo é uma questão de saber andar com dinheiro. Não abra a sua carteira na rua mostrando montes de notas, organize o seu dinheiro para que voce não precise ficar “garimpando” dentro da bolsa pra achar o dinheiro, e principalmente, separe o “dinheiro do dia” do total de dinheiro que voce tem. Não guarde o dinheiro do dia na “doleira”, guarde na sua carteira, e o resto na doleira ou no cofre do quarto de hotel. Os cofres funcionam, se voce não sabe como usar pergunte a um funcionario do hotel.

5. Não va a restaurantes, lojas e locais caros “so porque voce viu no blog XYZ” que é um “must”. Na verdade, da pra comer barato por aqui (comida boa), gastar pouco e se divertir. Não esqueçam que 60% dos parisienses ganham cerca de 2000 euros por mes, pagam aluguel e vivem bem. Voce não precisa gastar muito por dia se não puder.

6. Ha muito o que ver de graça por aqui. Voce não paga em igrejas, jardins, e em varios museus.

7.Invista em um bom passeio de reconhecimento guiado de um dia, ou um turno. Isso vai poupar voce de varios gastos que os turistas fazem por não saber onde ir ou onde comprar. Ha muito o que escolher, guias particulares, passeios com excursão, etc. Faça a sua pesquisa e veja o que mais se adecua as suas necessidades e ao seu bolso. Pergunte ao guia se ele ajuda voces nos outros dias, se ele fica a disposição caso haja alguma urgencia nos outros dias, ou caso voces se percam, etc. Peça dicas de onde ir e o que fazer, para os dias por conta propria. Mostre a sua lista de “compras” a ele, e veja se ele pode ajudar e mostrar onde se compra o que voce quer, mais barato.

8. Não tente “negociar” com o taxista uma tarifa fixa antes de entrar no taxi. Normalmente estas negociações são otimas pra eles, porque assim eles ja veem que voce é um turista de primeira viagem, e cobram o que bem entenderem. Faça questão do taximetro funcionando e pronto. Eu ja fiz viagens com brasileiros que “insistiram” em negociar o valor com o taxista, apesar de eu dizer que saia muito mais caro, e acabaram pagando 25 euros por uma corrida que 2 quadras (que seria uns 9 euros no maximo). Pegue o taxi na estação (parada) de taxis, não aceite ofertas de pessoas oferecendo “taxis” pela rua ou dentro do aeroporto. Use taxis registrados. Ou melhor, use o metro que é barato.

9. Cuidado com a bolsa e com os seus bens. Não traga coisas de muito valor pra usar aqui. Não use bolsa ou mochila nas costas, e fique de olho nos seus pertences. O risco de brasileiros serem roubados é grande, porque gastamos muito na Europa e hoje em dia somos considerados “endinheirados”, por aqui. As nacionalidades mais roubadas em Paris são os japoneses (porque sempre carregam cash e bons eletronicos), e os brasileiros, porque baixam a guarda quando chegam “na Europa”, em vez continuarem vigilantes como fazem no Brasil. Brasileiro da conversa pra todo mundo, confia em todo mundo, e acha normal gente parando voce na rua pra “conversar”. Não aqui não é normal, cuidado se pararem voce pra propor qualquer coisa, ou para vender alguma coisa.

10. Por ultimo, mas não menos importante: Controle os gastos a credito que não sejam extremamente necessarios.

Enfim, acredito que seja mesmo tudo uma questão de bom senso.

Conhecer Paris é muito mais do que comprar tudo o que se ve pela frente, afinal o melhor de Paris é de graça: A atmosfera, os aromas, as ruas, a historia, passear pelas margens do sena, conhecer os jardins, as igrejas, etc.

 

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